Eletrólitos

Eletrólitos na veterinária: a importância do sódio

Eletrólitos na veterinária: a importância do sódio

O que é sódio?

Ele se trata de um macromineral cuja maior concentração se encontra no líquido extracelular e é o principal determinante da osmolaridade plasmática. Os animais obtêm sódio por meio da alimentação e hidratação e o eliminam principalmente pela urina. No caso dos humanos, a eliminação pelo suor também é destacável.

O sódio relaciona-se diretamente com a regulação da pressão arterial, com a absorção de nutrientes, equilíbrio do pH do sangue e muito mais.

Quando falamos de eletrólitos as expressões "equilíbrio", "balanceamento", "desequilíbrio" e afins são frequentemente vistas. Isto porque hábitos alimentares, entre outros, podem subjugar a capacidade do organismo de mantê-los em níveis normais, e quando isto acontece, diversas consequências ocorrem.

Resultados da descompensação do sódio no organismo

Quando o consumo e/ou a perda de sódio não estão equilibrados, a concentração sanguínea de sódio se altera e teremos:

  • Concentrações baixas → hiponatremia
  • Concentrações altas → hipernatremia

Altas e baixas concentrações de sódio afetam diretamente a quantidade de líquido no sangue uma vez que sua maior concentração está no compartimento extracelular.

Hipernatremia

Os principais sinais clínicos da hipernatremia são sede e disfunção do sistema nervoso central (excitabilidade neuromuscular, hiperreflexia, convulsão e/ou coma). Quanto à sua classificação, ela deve ser sempre considerada junto com o volume de líquido extracelular.

Desta forma, chegamos, então, a três categorias que surgem com o objetivo de facilitar o raciocínio para o diagnóstico e tratamento dos animais.

Classificação I – Hipernatremia Hipovolêmica

Causas da hipernatremia hipovolêmica podem ser:

  1. Perdas gastrointestinais: diarreia e vômitos
  2. Perdas pela pele: queimaduras
  3. Perdas renais: doenças renais crônicas, uso de diuréticos de alça, diurese osmótica (aumento de ureia, hiperglicemia – diabetes melito)

Classificação II – Hipernatremia Euvolêmica

O desbalanceamento causado pela queda dos níveis de água associados a uma manutenção praticamente ideal dos níveis de sódio tem como possíveis causas:

  1. Perdas extrarrenais pelo trato respiratório: taquipneia (hiperventilação)
  2. Perdas extrarrenais pela pele: febre
  3. Perdas renais: diabetes insípido

Classificação III – Hipernatremia Hipervolêmica

O aumento de água corporal total acompanhado por um aumento também nos níveis de sódio podem ser causados por:

  1. Administração de líquidos hipertônicos: solução fisiológica hipertônica, bicarbonato de sódio, nutrição parenteral total
  2. Excesso de mineralocorticoides: tumores adrenais (hiperplasia adrenal congênita), hiperadrenocorticismo (doença de Cushing)

Hiponatremia

A hiponatremia é a redução da concentração plasmática de sódio por excesso de água em relação ao soluto. Os principais sinais clínicos da hiponatremia são distúrbios neurológicos como confusão, estupor, convulsões e coma. Vale a pena destacar estes dois tipos:

Hiponatremia translocacional: o sódio plasmático pode estar baixo em condições de hiperglicemia. Neste caso, temos um aumento da osmolaridade extracelular que levará ao deslocamento da água de dentro das células para fora com o objetivo de equilibrar a osmolaridade.

Pseudo-hiponatremia: a osmolaridade sérica está normal, a concentração sérica de sódio não é afetada, mas temos uma ocupação do espaço volumétrico do plasma. Esta condição é observada nas hiperlipemias severas (principalmente triglicérides) e hiperproteinemia.

Em se tratando de suas classificações, assim como na hipernatremia, devemos considerar sempre o volume de líquido extracelular:

Classificação I – Hiponatremia Hipovolêmica

Possíveis causas para este desbalanceamento:

  1. Perdas gastrointestinais: diarreia e vômitos (se a reposição de líquidos for hipotônica em comparação com as perdas teremos, neste caso, uma hiponatremia hipovolêmica)
  2. Perdas do terceiro espaço: queimaduras, pancreatite, peritonite, obstrução do intestino delgado
  3. Perdas renais: uso de diuréticos tiazídicos, deficiência de mineralocorticoides, nefropatias (obstrução parcial do trato urinário, doença renal policística)

Classificação II – Hiponatremia Euvolêmica

Entre as principais causas para hiponatremia euvolêmica em animais estão:

  1. Fármacos: diuréticos, barbitúricos, vincristina, anti-inflamatórios não esteroidais
  2. Doenças: insuficiência adrenal, hipotiroidismo, secreção inadequada de hormônio antidiurético (ADH), hipoadrenocorticismo
  3. Aumento da ingestão de líquidos: polidipsia
  4. Condições físicas que aumentem a liberação não osmótica de vasopressina (ADH): estresse emocional, náuseas, dor, pós-operatório

Classificação III – Hiponatremia Hipervolêmica

Alguns causadores de hiponatremia hipervolêmica podem ser:

  1. Doenças extrarrenais: insuficiência cardíaca, doenças hepáticas
  2. Nefropatias: lesão renal aguda, nefropatia crônica, síndrome nefrótica

Equilíbrio é tudo!

Como pudemos ver no material (e também pela nossa experiência prática), os sinais clínicos com os quais nos deparamos são diversos, com inúmeras causas, consequências e podem fugir bastante dos protocolos que conhecemos. Por esta razão, associar a dosagem de eletrólitos a outros exames laboratoriais é tão essencial na hora de determinar terapias e para a definição de conduta clínica. Para acompanhar a resposta a tratamentos, então... definitivamente, quando se trata desses pequenos elementos, equilíbrio é tudo!

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